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Constituição precisa ser revista para assegurar garantias fundamentais a menores como Sean Goldman

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O menino faz 10 anos hoje e os avós brasileiros pediram permissão ao pai
para poder falar pelo telefone com o neto, que mora nos Estados Unidos

 

Prestes a completar 20 anos de existência (no dia 13 de julho), o Estatuto da Criança e do Adolescente precisa ser revisto. Considerado um paradigma na história do país, o ECA promoveu a mudança nos conceitos de criança e adolescente, evitando a utilização do termo “menorâ€, que remete a um sujeito sem direitos. Porém, após duas décadas, alguns preceitos devem ser reavaliados, na avaliação do criminalista Fernando Augusto Fernandes, sócio do escritório Fernando Fernandes Advogados Associados e ex-diretor do Grupo Brasileiro da Associação Internacional de Direito Penal.

Mesmo com o artigo 227 da Constituição Federal estabelecendo os direitos individuais de crianças, nos casos de entrega internacional “as crianças e os adolescentes ainda são vistos como objetosâ€, afirma Fernando Fernandes, ex-presidente da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro.

Exemplo recente ganhou os holofotes internacionais em 2009, quando o caso do menino americano Sean Goldman levantou questões sobre os tratados de cooperação entre países, dos quais o Brasil e os Estados Unidos são signatários. A batalha judicial pela guarda da criança foi decidida no dia 24 de dezembro, após cinco longos anos nos tribunais. O Supremo Tribunal Federal decidiu pelo retorno do menino aos EUA e até hoje os avós maternos lutam pelo direito de visita ao neto, que nesta terça-feira (25/5) completa 10 anos. Silvana Bianchi pediu ontem ao pai do menino,  David Goldman, nos Estados Unidos, a permissão para falar por telefone com Sean, em razão do aniversário.

Em abril de 2010, um outro caso chamou a atenção e demonstrou a necessidade de se rever, com urgência, os tratados de cooperação entre países. A ex-jogadora de vôlei Hilma Aparecida Caldeira veio para o Brasil com o filho Kelvin Caldeira Birotte, de quatro anos de idade, nascido nos Estados Unidos. Por conta disso, ela foi acusada de sequestro internacional de crianças pelo ex-marido, o americano Kelvin Birotte. A Justiça Federal de Minas Gerais havia determinado que Hilma entregasse a criança ao pai, assim como no caso Sean, mas o Superior Tribunal de Justiça decidiu manter o filho com a mãe.

O acordo de cooperação entre países precisa ser repensado no sentido de o Brasil estabelecer garantias para crianças, que vão além da visão paternal do ECA, e que assegurem direitos próprios para elas — exatamente como ocorre com um adulto que, para ser entregue a outro país, tem direito ao processo de extradição, no qual o Brasil pode fazer exigências e fixar normas que devem ser respeitadas pela nação estrangeira. “Quando se trata de um processo de posse internacional de uma criança, ao contrário, ela pode ser entregue sem que o juiz brasileiro possa fixar direitos como visitação, obrigação de um brasileiro estudar a língua pátria, possibilidade do consulado acompanhar a educação no exterior, ou mesmo de vir ao Brasilâ€, diz Fernando Fernandes.

Para o criminalista, tanto os processos de Sean quanto o de Hilma tiveram como fundamentação por parte dos pais biológicos a Convenção de Haia sobre a proteção das crianças e sobre a cooperação em matéria de adoção internacional, de 1995. “Em que pese o tratamento despendido às crianças nos dois casos, é importante uma revisão na forma de aplicação dos tratadosâ€, ressalta.

De acordo com Fernando Fernandes, é preciso, necessariamente, ocorrer uma mudança de interpretação das normas legislativas para que crianças e adultos tenham, de forma equivalente, os mesmos direitos constitucionais e legais. “A prisão cautelar exige pré-requisitos e um adulto para ser colocado em uma prisão tem garantido o devido processo legal, tem amplo direito de defesa, enquanto que um adolescente é encaminhado para uma ‘prisão infantil’ sob a vestimenta de instituto correcional, sem qualquer direito a processo legal, como se o recolhimento fosse o melhor para a própria criança, mesmo contra a vontade dos pais. O direito constitucional é para todos, inclusive para as crianças e adolescentes, que devem ter assegurado um processo justo quanto às entregas internacionais, com exigências diplomáticas internacionaisâ€, diz o criminalista.


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Foram feitos os seguintes comentários2 comentários sobre: “Constituição precisa ser revista para assegurar garantias fundamentais a menores como Sean Goldman”

  1. silvia lakatos disse:

    É muita cara de pau dizer que os avós maternos “lutam pelo direito de visita ao neto”. Durante quanto tempo eles surrupiaram ao pai o direito de ver o filho, e, o que ainda é pior, roubaram do filho o direito de viver com o pai? Não foram eles cúmplices da mulher leviana que tirou ilegalmente o menino do seu país de origem, privando-o do direito de convivência com a figura paterna? Estes avós agiram muito mal, e agora pai e filho têm direito a um tempo para se adaptarem um ao outro. Se os avós maternos ficarem na cola, pressionando o garoto, ele jamais conseguirá reconstruir esta importante relação que lhe foi usurpada pela mãe egoísta.

  2. Brasil Futuro disse:

    Dona Silvana, tenha fé!!!!!!!! Tudo tem sua hora e seu momento, David não poderá prender Sean a vida inteira, todos nós somos humanos e cada gesto nosso neste mundo tem um preço a ser pago… Sean não é mais um bebê e tenho certeza de que deve estar sabendo de muito mais do que possamos imaginar, ele tem que sair de casa para ir a escola, para se encontrar com colegas, e outros lugares mais… Não acredito que ninguém deixe de fazer algum tipo de comentário, o próprio David tornou Sean um garoto conhecido internacionalmente, portanto, para onde Sean for, alguém o reconhecerá e terá sempre alguém para dizer alguma coisa… Tem gente para tudo, e as opiniões são sempre diferentes, ainda bem, assim Sean poderá saber de tudo… Dona Silvana acredite que o amor que voces deram a Sean jamais sera esquecido e o amor que ele tem pela irma, pelo pai (Joao) e todos de sua familia, pois o amor recebido foi por muito tempo!!!! Sean teve uma vida no Brasil!!!!!! Boas lembranças não se apagam facilmente, mesmo que eles tentem… Seu neto assim que puder virá atras da vida dele… Tenha fé!!!!!! O que David está fazendo, com Sean, ele não percebe mais impedir que que tenha contato com voces e a irma, ele só está perdendo Sean, pior ainda se ele estiver mentindo para o menino, mentira tem perna curta e Sean podera ver os documentos, as cartas, os videos, fotos, relatos, etc. Acredite que seu neto voltará, ele saberá buscar o melhor para ele em breve, ele já tem 10 anos, se tivesse voltado com menos idade, não acreditaria em sua volta, mas não no caso de seu neto, pois na idade dele muita coisa deve estar se passando na cabecinha dele, ele é um menino inteligente, e saberá distinguir o melhor para si!!!!!!! Tudo de bom a senhora e sua família, tenha força, muita força!!!!!!!!

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