Fim de noite e início de madrugada. A comunidade adormecia, quando de repente ouvem-se vários estampidos. A comunidade entra em polvorosa. A luta entre facções rivais havia recomeçado.
Ali dentro daquele cubículo, o líder comunitário e sua família estavam assustados. Pela fresta da parede do barraco, viam vultos andando de um lado para outro. Inesperadamente sua mulher, sem querer, esbarra em um copo deixando-o cair. Atraídos pelo barulho, eles arrombam a porta e adentram o barraco.
Aturdidos, o líder comunitário e sua mulher ficam perplexos e aterrorizados, diante de seus algozes.
- O que provocou este barulho? Perguntou o chefe do grupo.
O líder comunitário quis falar, mas a voz não sai. Foi sua mulher que num impulso disse que o copo havia caído.
Com o ódio estampado na face, o chefe do grupo preparava-se para arremeter contra o líder comunitário, quando inesperadamente, pára, ao vislumbrar uma foto afixada na parede, na qual parece distinguir algo conhecido.
Com efeito, pergunta ao líder comunitário, onde tinha conseguido aquela fotografia.
É uma lembrança de família, respondeu.
Então nós somos da mesma família, respondeu o chefe do grupo, reconhecendo a si mesmo na foto, ainda menino, ao lado do pai já falecido.
Nessa hora, bateu forte a emoção, esquecendo-se por um instante que havia sido tragado pela violência, ao lembrar abraçado ao primo, que um dia haviam sido meninos.
Ailton Barros



Caro
Ailton
Por eu ser o editor do Jornal Rapidix, geralmente me mantenho neutro a respeito das publicações feitas no site.
Mas eu não poderia deixar de parabenizá-lo pelo seu excelente texto, que em tão poucas palavras, estampa vários dramas sociais sempre presentes em nossa sociedade. Tristes, mas aqui retratados com uma clareza singular.
Parabéns!
Waldir dos Santos